Selic caiu pela quarta vez seguida, mas o financiamento imobiliário não acompanhou
Entenda por que quem está esperando o crédito ficar mais barato pode estar perdendo tempo, e o imóvel
No dia 5 de agosto o Copom cortou a Selic para 14% ao ano, o quarto corte seguido em 2026. Para quem está de olho num apartamento no Rio e vem adiando a decisão na esperança de que o financiamento fique mais em conta, a notícia parece o sinal que faltava.
Só que não é bem assim. A Caixa, principal financiadora de imóveis usados no país, já sinalizou que não pretende reduzir suas taxas no curto prazo, mesmo com a Selic em trajetória de queda.
NA PRÁTICA
O crédito imobiliário do SFH não é bancado pela Selic. Ele vem principalmente da poupança e do FGTS, corrigidos pela TR, um índice que reage devagar e de forma parcial às decisões do Copom. Só as linhas atreladas ao CDI (bem menos comuns em imóvel usado) acompanham o corte de perto. Na prática, a Caixa segue cobrando algo entre 11,4% e 12% ao ano mais TR, praticamente no mesmo patamar de antes do corte.
O QUE ISSO SIGNIFICA PARA QUEM ESTÁ NA DÚVIDA ENTRE COMPRAR AGORA OU ESPERAR
Esperar a Selic cair mais faz sentido se o objetivo for aplicação financeira. Para financiamento, o efeito é bem mais lento e incerto. Enquanto isso, o preço dos imóveis segue subindo: o índice FipeZap acumula alta relevante em 2026, e cada mês de espera costuma custar mais em valorização do que a diferença de juros que o comprador imagina economizar.
Um comprador que financia hoje ainda tem a portabilidade de crédito como saída. Se as taxas caírem de verdade lá na frente, é possível migrar o financiamento para um banco mais barato sem abrir mão do imóvel nem repetir custos como o ITBI.
O QUE ISSO SIGNIFICA PARA QUEM JÁ ESTÁ COM O FINANCIAMENTO APROVADO
Vale simular o CET completo (taxa, seguros, tarifas) e não só o percentual de juros anunciado. A diferença entre bancos, mesmo pequena em pontos percentuais, some para um valor considerável ao longo de 30 anos. E quem já tem parcelas de carro, cartão ou outros empréstimos em aberto deve saber que isso reduz a capacidade de financiamento aprovada, independentemente do que acontece com a Selic.
FECHAMENTO
O corte da Selic é uma boa notícia para a economia como um todo, mas não é sinônimo de parcela menor no financiamento de imóvel usado. Quem está esperando a taxa de juros bancária despencar para tomar uma decisão pode acabar pagando mais caro, seja em valorização do imóvel, seja em tempo de aluguel. A Nova Época acompanha essas mudanças de perto para orientar compradores sobre o melhor momento e a melhor forma de financiar no Rio de Janeiro.